As coisas mudam.
O carro, a casa, as roupas,
os gostos, os gastos, as aparências,
os amigos.
As pessoas mudam.
Tag Archive: pessoas
Existem umas pessoas que são irritantemente importantes, não? E não importa o quanto você tente se afastar ou o quanto você acabe se afastando, elas estão sempre ali, no fundo da sua mente. E a lembrança delas, de suas palavras, do que diriam, do que disseram, está sempre ressoando em sua cabeça. Às vezes, essas pessoas especiais me sufocam. Não no sentido delas fazerem isso conscientemente, até porque algumas já nem estão por perto (outras nunca estiveram) para fazê-lo. É só que essa voz que elas tomaram em minha imaginação me irrita, me estrangula.
Por que essas pessoas não podem simplesmente ir embora e parar de fazer parte de mim?
Parece aquele “O jogo.”, quando você menos espera, você lembra dele e percebe que perdeu.
Que droga! Parecem fantasmas! Sempre lá, mesmo que nunca estando presentes.
Eu queria que vocês sumissem, que eu pudesse simplesmente esquecer, porque talvez não doesse tanto.
São páginas em branco, desenhos japoneses, papéis de bala, uniformes escritos e bandeiras do Brasil.
Eu queria ser menos covarde, que as situações não fossem tão complicadas, que o passado não fosse tão marcante.
Droga de pessoas especiais.
Estou presa em um mundo de rostos. Todos cansados, tristes, rostos infelizes. Expressões indefinidas, de faces que desconheço. São sonhos, lembranças e dores que deixaram de acontecer ou que aconteceram, mas não foram divulgadas ou que se perderam em chances sem fim.
São pessoas perdidas em um mundo cruel, são pessoas sozinhas, de pensamentos incríveis, são rostos infelizes. São milhões de mentes que divagam pelo mundo, são idéias em um pensamento profundo. São coisas diversas, partes do plano, nada mais que objetos de plástico, que bonecos de pano. São materiais unidos em uma só matéria estranha. Não há vitória nem derrota, ninguém perde, ninguém ganha.
São traços, são letras, são notas musicais. Falas e loucuras e espaços siderais. É a ciência e sentimentos que não posso expressar, alegrias e amarguras de pessoas que nunca cheguei a encontrar. São duvidas escritas na parede, feitas de desespero e solidão. São labirintos de palavras e imagens que aquecem o meu coração.
É um mundo de tolos irremediáveis, onde poucos conseguem se salvar. De causas e conseqüências, de dizer ou me calar. São destinos entrelaçados pelos laços fortes da vida, são risos, choros e abraços de uma pessoa querida.
Mas eu também sou parte de um todo, ou de diversos todos divisíveis; assim eu descubro, que faço parte dos rostos infelizes.
Mas será que somos todos tão infelizes assim?
Eu nunca entendi completamente o porquê do ser humano possuir a capacidade de perdoar. Se uma pessoa foi capaz de machucar outra uma vez, o que nos faz pensar que não fará novamente? Conceder seu perdão a alguém que o magoou é pedir para sofrer de novo. E, mesmo assim, não há como tentar sufocar a saudade e o carinho deixados por aquele que traiu sua confiança.
Os motivos variam, os casos se diferenciam. Existem, é claro, razões para o perdão. Posso não defendê-lo, mas a minha própria hipocrisia precisa ser motivada. Às vezes, perdoamos por amar demais e sermos incapazes de nos distanciar de certas pessoas; em outros casos, a pessoa entende o porquê da mentira e se coloca no lugar do traidor. Há ainda aqueles com a inabilidade de guardar rancor e acabam esquecendo a razão de ter se irritado em primeiro lugar. Eu só não sei se esses são os mais felizes ou os mais ignorantes. Talvez os dois.
