Eles eram perfeitos. Perfeitos amigos, perfeita aparência, perfeitas notas, perfeitas atitudes, perfeito relacionamento.
Eles se amavam, de verdade, mas não da maneira que todos imaginavam. Havia algo pra ele. Havia outro algo pra ela. Talvez fossem os mesmos algos; e isso também seria perfeito. Talvez não.
Ninguém poderia afirmar. Nem mesmo eles.
A única coisa verdadeiramente imperfeita é o tempo.
O tempo passou. Tudo passou.
No fim, restou uma perfeita quebra, uma perfeita distância e perfeitas expectativas não-realizadas. Talvez dela, talvez dele.
É no fim que se percebe que, desde o início, nada era perfeito.
Incrivelmente, os possivelmente algos ficaram.
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Existem umas pessoas que são irritantemente importantes, não? E não importa o quanto você tente se afastar ou o quanto você acabe se afastando, elas estão sempre ali, no fundo da sua mente. E a lembrança delas, de suas palavras, do que diriam, do que disseram, está sempre ressoando em sua cabeça. Às vezes, essas pessoas especiais me sufocam. Não no sentido delas fazerem isso conscientemente, até porque algumas já nem estão por perto (outras nunca estiveram) para fazê-lo. É só que essa voz que elas tomaram em minha imaginação me irrita, me estrangula.
Por que essas pessoas não podem simplesmente ir embora e parar de fazer parte de mim?
Parece aquele “O jogo.”, quando você menos espera, você lembra dele e percebe que perdeu.
Que droga! Parecem fantasmas! Sempre lá, mesmo que nunca estando presentes.
Eu queria que vocês sumissem, que eu pudesse simplesmente esquecer, porque talvez não doesse tanto.
São páginas em branco, desenhos japoneses, papéis de bala, uniformes escritos e bandeiras do Brasil.
Eu queria ser menos covarde, que as situações não fossem tão complicadas, que o passado não fosse tão marcante.
Droga de pessoas especiais.
O dia ta lindo. Nuvens no céu, o sol suave e brilhante, o cheiro de almoço que parece tomar toda a casa, a perspectiva de sair com minhas amigas mais tarde. É engraçado como, no meio de tudo que há de mal no mundo, de todo o estresse que eu venho sofrendo nesses últimos meses e de toda a angústia que essas duas últimas coisas me trazem, é possível ser plenamente feliz, mesmo que por um segundo, quando eu olho pro sol (me cegando momentaneamente) e penso que a vida não podia ser melhor.
Se há uma coisa que eu não questiono, é a amizade. O amor pode ser traído, os laços de sangue podem se tornar insignificantes, mas enquanto houver amizade – amizade verdadeira – entre duas pessoas, não há nada que possa destruí-las. Meus amigos são tudo pra mim, são minha razão para me levantar de manhã, fazem parte do ar que eu respiro para sobreviver. São eles que fazem com que até valha a pena levantar as 5:40 da manhã pra ir pro colégio, são eles que me fazem rir até quando eu estou no pior dos humores. Existem aqueles amigos irmãos, aqueles irmãos amigos, aquela mãe e aquele pai amigo, aquela amiga super mãe (que, no meu caso, sou eu), aquele amigo chato, aquele amigo demente e até aquele que você às vezes desejava não ser tão amigo assim. Mas realmente não importa, não é? São todos amigos e é tudo amizade e são a razão por que o mundo gira e o sol brilha e por que eu sobrevivo. E, todo dia que nasce, eu sorrio e agradeço a sabe-se lá o que, agradeço pela sorte que eu tenho de ter amizades tão verdadeiras, tão infinitas, tão curtas, tão inquebráveis e tão frágeis. Sou tão grata que até palavras me faltam.
Então, acho que não importa o que há no amanhã ou o que o futuro irá me impor. No momento, o mundo gira, o sol brilha, eu sobrevivo e existe tanta amizade que dá vontade de ser feliz só por ser feliz.
